Educação Colateral na infância digital: evidências da Aprendizagem Algorítmica em crianças de 4 e 5 anos.
DOI:
https://doi.org/10.69849/437a1c52Palavras-chave:
Educação Colateral, Aprendizagem Algorítmica, Infância digital, Educação infantil, Cultura digitalResumo
O presente artigo investiga as formas de aprendizagem que se manifestam na infância contemporânea para além do ensino formal, com foco na atuação de sistemas algorítmicos na formação de comportamentos, repertórios e modos de interação em crianças de 4 e 5 anos. Parte-se da hipótese de que as crianças não apenas aprendem fora da escola, mas são continuamente formadas por ambientes digitais que operam por meio de retroalimentação de conteúdos, imediaticidade de respostas e indução de padrões de ação.
A pesquisa, vinculada a um estudo de doutorado, de abordagem qualitativa e base fenomenológica, foi realizada com professores da educação infantil em uma escola pública localizada no município de Duque de Caxias (RJ), com o objetivo de compreender como esses profissionais percebem as manifestações dessas aprendizagens no cotidiano escolar. Os dados foram coletados por meio de questionário semiestruturado e analisados a partir de categorias temáticas, à luz da interpretação fenomenológica.
Os resultados indicam que as crianças chegam à escola com repertórios previamente constituídos, evidenciando transformações na atenção, no comportamento, na linguagem e nas formas de interação. Destaca-se o desenvolvimento de aprendizagens de natureza operacional, a incorporação de repertórios culturais mediados por plataformas digitais e a ocorrência de processos formativos sem mediação pedagógica direta.
A partir desses achados, propõe-se o conceito de Educação Colateral, entendido não apenas como aprendizagem paralela ao ensino formal, mas como um processo formativo estruturado por sistemas algorítmicos que antecipam, repetem e direcionam experiências. Diferentemente de concepções tradicionais de aprendizagem informal, a Educação Colateral caracteriza-se por operar sob lógicas de retroalimentação contínua e imediaticidade, produzindo efeitos na constituição dos sujeitos antes mesmo de sua inserção no ambiente escolar.
Conclui-se que a escola passa a atuar em um cenário no qual os processos formativos já estão em curso, exigindo a ampliação dos referenciais pedagógicos para compreender e dialogar com essas novas dinâmicas de aprendizagem na infância digital.
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