A Viabilidade do Emprego do Cão de Trabalho Policial em Ambientes Contaminados com Compostos Lacrimogêneos CS e OC
DOI:
https://doi.org/10.69849/dpe08c23Palavras-chave:
Cão de trabalho policial, gás lacrimogêneo, CapsaicinaResumo
O presente trabalho tem o intuito de verificar a viabilidade do emprego do cão de trabalho policial em ambientes contaminados com compostos lacrimogêneos CS (Clorobensilidenemalononitrila) e OC (Oleoresin Capsicum). A metodologia utilizada na pesquisa foi a revisão de literatura, através da análise de livros e artigos científicos de diversos autores, dentre os quais é possível destacar: Robert Eden (2018), David R. Miller (2021) e M. S. Cruz (2024). Nesse contexto, procurou-se identificar os efeitos fisiológicos dos compostos químicos CS e OC nos seres humanos e nos cães, analisando se as eventuais implicações nos animais são expressivas o suficiente ao ponto de comprometerem sua capacidade operativa. Os estudos revelaram que com relação ao gás lacrimogêneo CS, os cães, por razões naturais, sofrem efeitos mais amenos se comparados com os gerados em seres humanos. Ao examinar o composto OC, entretanto, ficou evidente que os cães têm seus sentidos comprometidos pelo desconforto gerado, afetando, portanto, sua eficiência nas tarefas desempenhadas. Diante desse cenário e partindo da premissa que um dos fundamentos básicos que norteiam o preparo e emprego do cão de trabalho é o respeito a saúde e ao bem-estar animal, é imperativo o debate sobre a existência ou não de contraindicações no aproveitamento dos atributos físicos do cão em ocorrências cuja probabilidade de emprego dos agentes CS e OC seja alta.
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